Post para quem está esperando a entrevista

Rumo aos dez meses (antes de entrar no processo, esse número era comum no federal). Não, ainda não estamos no Federal, aguardamos – ainda – a convocação da entrevista em São Paulo.

Desde o dia que começamos no processo de imigração, muita coisa aconteceu. Nesse meio tempo, não podíamos deixar de viver nossa vida no Brasil esperando pelo Québec, que hoje parece estar em crise com ela mesma (futuro post. E em francês). Perdi o emprego numa grande emissora do sul do país, comecei um freela, l’architecte foi transferido e teve que ir morar em São Paulo… Eu sigo aqui: pensando mais em voltar a morar com l’architecte que pensando no Québec.

Continuo fazendo aula de francês. Treinando a escrita, gramática e muita, muita pronúncia. A grande questão de toda essa espera, que não se limita apenas a nós dois, mas a todas as pessoas que estão há mais de seis meses nessa fila que não tem fim, é justamente a impossibilidade de largar tudo para viver de “québec”. L’architecte foi para SP, para trabalhar num lugar melhor, fazendo o que gosta. Eu, ainda tendo um TCC pra terminar, não poderia largar tudo e ir com ele pra capital paulista.

O escritório de imigração no México não dá nenhuma previsão e nós desistimos de esperar e pensar nisso. Quer saber? Vamos viver nossa vida aqui, nos vendo nos finais de semana e pelo Skype e se, algum dia, o BIQ resolver nos chamar, iremos felizes.

Nossos planos, nossos prazos, já foram feitos e refeitos dezenas de vezes, levando sempre em consideração a possibilidade de sermos chamados para a entrevista.

Confesso que bate certo desânimo. Desde o recebimento da primeira carta nos privamos de viagens, compras, presentes, tudo em função desse sonho que já nem sei mais como vai terminar.

Peço desculpas pelo post ser meio desanimador, mas não havendo outra forma de traduzir, a melhor palavra que define o momento é frustração. Pelo tempo perdido, pelos passeios não realizados, pelos presentes que poderiam alegrar o outro mas foram evitados.

Deixo uma dica para quem ainda está no Brasil esperando uma resposta do BIQ:

Vivam. Não deixem de fazer o que vocês gostam. Viajem. Viajem pra longe. Conheçam outras cidades, países. Comprem presentes e alegrem um ao outro. Quer adotar um bichinho? O faça. Não deixem de comprar uma roupa nova, talvez um pouco cara. Querem comprar um apartamento e investir? Arrisquem. Não deixem a vida passar pela janela enquanto vocês ficam sentados esperando o fim do processo.

Aproveitem o Brasil.

Mudança de vida, mas não de planos

Tempinho longo que ficamos sem aparecer nesse blog, né? Os motivos são aqueles de sempre: falta de tempo, faculdade, a demora nas novidades da imigração (me refiro à novidades positivas, pois de negativas e mudanças no processo… isso já virou quase rotina).

Bom, vamos ao que interessa: no último dia 15 de março, l’architecte foi à Curitiba-PR, fazer uma entrevista de seleção interna no Banco para trabalhar como arquiteto mesmo. E eis que no início da semana saiu a resposta.

Desde o momento em que ele saiu para a entrevista, eu já sentia que ele iria passar. Coisas que sentimos e não sabemos explicar. Tava na cara que ele seria chamado.

- Tá, mas ele vai ter que morar em Curitiba?

- Não! Em Curitiba foi só a entrevista, ele vai mesmo é trabalhar em São Paulo!

- Whaaat? (Ou melhor, quoi????)

São Paulo

Bom, quem me conhece sabe que nunca pensei em morar em SP. E que a sensação que sinto é que é um mundo à parte. A cidade parece te engolir no meio dos carros, prédios, avenidas. Acho que é coisa de quem sempre morou em cidades relativamente pequenas como Fortaleza, Caxias do Sul e Porto Alegre…

Mas, São Paulo? Sim… é pra lá que l’architecte vai a partir do dia 16 de abril.

- Tá, e tu, le publicitaire, como fica? Vai junto, né??

Não. Infelizmente não. Pensamos muito nesse assunto de eu ir com ele, mas estou no finalzinho do meu curso na faculdade, faltando só mais um semestre… Será que valeria a pena ir para São Paulo, pedir transferência para a PUC de lá e correr o risco de precisar refazer algumas cadeiras e atrasar em mais um ano o curso? A resposta foi não.

Vou esperar até o final do ano, quando devo apresentar meu trabalho final na faculdade e depois ir para São Paulo. Esperaremos o visto de lá (Ah, o Canadá, esse continua sendo o nosso foco, o nosso plano).

Muitos perguntaram: “Então quer dizer que vocês não vão mais para o Canadá?”

Acho que essas perguntas são mais como tentativas falidas de quem quer acreditar que desistiremos dessa ideia maluca de mudar de país do que verdadeiramente uma pergunta de quem acha que vamos nos estabelecer em SP.

- E como está nossa vida nesse últimos dias?

Uma loucura!

Estamos procurando um apartamento em SP. Tarefa nada fácil para quem está acostumado com as taxas imobiliárias bem abaixo da realidade paulista. Os preços em Porto Alegre são bemmm mais em conta quando nos deparamos com os preços de lá.

E como vai ser até o final do ano?

Primeiro: vamos ter que manter dois apartamentos inicialmente, um em POA e outro em SP.

Vamos tentar nos vermos sempre que der.. alguma promoção nas passagens, feriados, finais de semana.. Ou seja, estaremos na ponte aérea SP-POA bem seguido.

Teremos, nos próximos dias, mudança de vida, mas não de planos. O nosso grande objetivo é o Québec.

Termino o post com uma frase de Fernando Pessoa:

“Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”
Fernando Pessoa

Comentário meu: – E que ela seja boa!

Abraços e um ótimo final de semana.

La crise: un petit effort ou la distance la plus proche?

Seis meses, 1 semana e 3 dias. Esse é o tempo que se passou desde o envio dos documentos ao Bureau d’Immigration, em São Paulo – continuamos esperando a convocação para a entrevista. Para não perder tempo sonhando com o Canadá, comecei a escrever textos em francês, assim vou treinando a parte escrita dessa língua tão cheia de regras e exceções.

Crise
Fém. sing.

1. Un changement qui survit dans le cadre d’une maladie aiguë;
2. Situation dangereuse, moment dangereux et décisif;
3. Le manque de travail;
4. Embarras dans le mois de mars d’affaires régulier.
5. Désaccord politique qui exige que le ministère de la reconstruire ou de démissionner.

 La crise a pris tout le monde au dépourvu. Elle m’a pris sur le domaine existentiel et a choqué le monde financièrement. Est-ce la fin? J’espère qu’il y a un moyen de m’en sortir de nombreux problèmes du XXIè siècle.

Aujourd’hui, en retournant chez moi, je me suis remarqué comment les choses sont folles, stupides et parfois insignifiantes. Des pigeons qui volent vers le centre-ville sale qui n’a pas de propriètaire à la femme qui est prostrée dans la rue en écoutant le chant des oiseaux à Place da Alfândega, à Porto Alegre.

L’automne n’a pas encore commencé et tout le monde veut sentir la brise fraîche, le vent qui aurais dû venir et n’est pas venu, qui a promis des jours meilleurs, qui a assuré de brûler les joues des gens. Les mêmes gens qui attendent la brise qui ne vient jamais; la Sécurité Sociale qui ne sort jamais, les chansons de Dylan et Hendrix qui ont été oubliés.

En attendant, on se rend compte que le temps est la plus mauvaise création de l’humanité. J’ai lu récemment dans un livre de Sebastian Faulks, une citation qui dit « On vit juste une petit partie de la vie. En fait, tout le reste, ce n’est pas la vie, mais du temps. » Quand j’ai lu cette petite phrase, c’était comme si tous les moments les plus agréable dans ma vie étaient une illusion, qu’ils n’étaient pas vrais.

Actuellement, j’attends un nouvel emploi et une lettre qui peut changer ma vie. En même temps, je me demande « Est-ce que tous mes rêves sont ma illusion, ou est-ce que je peux, effectivement, les rendre réels?

J’essaye de prévoir mon futur et de changer les choses que je n’aimerais pas vivre. Je vois mon horoscope tous les mois pour savoir – même si je ne comprends pas ce que « Saturne à  Jupiter » veut dire – quels sont les problèmes que je peux trouver dans le parcours de ma vie.

Je ne sais pas si ces symptomes d’anxieté peuvent se traduire comme peur d’être trompé par le temps ou comme désir de vivre les moments le plus rapidement possible.

Ça c’est ma crise.

 Le publicitaire

O resumo da ópera em cinco atos

2011 se foi e com ele foi também a esperança que tínhamos de receber a segunda carta ainda em dezembro. Continuamos aguardando.

Primeiro ato

Depois de uma temporada com a família, eu (le publicitaire), pude voltar descansado para Porto Alegre e no dia seguinte à chegada, embarcar de novo com l’archictecte para Buenos Aires. E nossa, que cidade linda! Passamos uma semana conhecendo a capital porteña, caminhando pelas calles em paralelepípedo, observando a arquitetura francesa que a cidade possui. Tudo maravilhoso.

Segundo ato

De volta ao trabalho, sempre bate aquela depressãozinha pós-férias. Embora as minhas tenham sido apenas de 15 dias, valeu a pena. A realidade de ter que voltar às 8h diárias de trabalho e pegar plantão no final de semana (sábado e domingo) não é nada animador.

Na volta, soube de uma colega que tinha um cargo importante como editora-chefe na redação da TV, que largou tudo e abraçou um emprego temporário no Projac, no Rio. Bom, não pude me despedir dela, mas desejei muito sucesso.

Terceiro ato

Sexta-feira passada (20/01), minha chefe mudou a escala de todo mundo e pediu que eu chegasse mais cedo. Adorei a novidade, afinal eu ia poder chegar mais cedo em casa. Às 9h eu bati meu ponto.

O telefone da redação toca, a editora 1 atende o telefone e diz:

A L. tá pedindo que todos subam para a sala de reuniões, menos fulando, cicrano e beltrano.

Os três permanecem na sala. Eu subo junto com os demais colegas.

Chegamos na sala de reuniões e para a nossa surpresa, a coisa parecia ser mais séria do que imaginávamos. Diretor, gerente, coordenadora e RH.

Todos estão sentados para ouvir as primeiras palavras:

A empresa está passando por uma reestruturação na equipe. Tínhamos um projeto importante. O projeto Digital. Até agora não estamos vendo resultados e precisaremos cortar gastos…

O blá blá blá metendo a culpa na crise financeira mundial foi de 30 minutos, aproximadamente. O gerente começou a falar:

Portanto, essa equipe reunida está sendo desligada da empresa.

A colega pergunta: - Mas quando será nosso último dia?

- Hoje. Hoje é o último dia de vocês aqui. Quando terminarmos, recolham suas coisas, passem no DP e podem ir para suas casas. - Respondeu o gerente.

Dolorido. Silencioso. Esses eram os adjetivos de como o momento em que eu mais 9 colegas estávamos naquela manhã de sexta-feira. Demissão em massa numa empresa que se diz líder.

Má gestão, falta de planejamento dos gestores, passo maior que as pernas podem dar. Eu defino assim o motivo da demissão em massa que ocorreu comigo e que pode voltar a acontecer nos próximos meses.

10h da manhã eu estava demitido. Às 11h, em casa.

Será que a colega que largou o cargo de editora-chefe e o bom salário para ir começar a vida no RJ trabalhando como freelancer no Projac, já sabia que o barco ia afundar e pulou antes do naufrágio? Será que ela foi avisada pelo comandante do navio que era bom procurar outra coisa? Dúvidas minhas.

Quarto ato

Segunda-feira, dia 23/01. É hora de se recompor e ir à luta novamente atrás de um emprego. É como se fosse mais uma página virada do grande livro. Começar a escrever mais um capítulo da parte profissional da minha vida.

Espero que seja uma bênção disfarçada. Eu já estava cansado dali, da minha chefe que não tomava algumas atitudes simples diante de situações pequenas. Eu precisava mudar. Acho que eu precisava mesmo de uma injeção dessas para não me acomodar pelo salário e ir atrás de uma coisa nova.

Quinto ato

Fora encontrar um bom emprego e um salário digno, o que eu mais desejei quando sai do trabalho na sexta-feira, foi chegar em casa e encontrar uma carta do Escritório de Imigração. O que eu mais queria era fugir pro Canadá.

Continuamos na espera. Segunda carta e convocação para a entrevista.

Antecipando choros e lágrimas de Natal

Quem mora longe de casa sabe que essa é a época mais difícil do ano. Tem quem gosta, tem aqueles que não acham grande coisa e muitos que se sentem tocados mesmo estando longe.

Pra mim, que moro longe dos meus pais desde os 16 anos, parece ser mais fácil.. mas não é. Toda vez que vou passar férias com eles e conviver um pouco, o sentimento da partida é igual. Um aperto no peito que mais parece luto.

Ainda nem chegamos no Canadá, mas para quem abandona tudo para seguir os sonhos, a dificuldade parece ser quase a mesma em se tratando de sentimentos e pessoas envolvidas.

Quem é publicitário sabe o quanto é difícil se fazer uma campanha de fim de ano que mexa com a emoção de todo mundo. Ontem a Cia. Zaffari, aqui do Rio Grande do Sul, lançou a sua campanha de fim de ano. O publicitário aqui sentiu orgulho da profissão mas também uma vontade enorme de voltar para casa correndo  e abraçar a família.

Assistam ao vídeo. Inevitavelmente, todos que moram fora de casa se identificam.

A minha passagem para Fortaleza está na mão. Para aqueles que estão no Canadá, desejo força para enfrentar um Natal longe (alguns pela primeira vez, outros não) e aos que podem vir, comemorem e aproveitem com suas famílias.

Abraços,

Le publicitaire

Dois meses

Dois meses já se passaram desde o dia que nossos documentos chegaram ao BIQ, em São Paulo, e até agora nada de segunda carta falando sobre a análise do dossiê.. Nada de nada. O que nos alivia é saber que pelo menos os correios sairam da greve e agora podemos esperar com mais ilusão uma cartinha.
O pior de tudo nesse processo é o tempo que a gente passa para receber qualquer informação e os poucos dias que levamos para desenvolver uma gastrite nervosa.
A única coisa boa até o monento é ver os amigos blogueiros que já estão em terras canadenses comemorando e já se sentindo em casa…

Fico por aqui. Ah, e desculpa pela ausência dos últimos dias. Prometo que voltarei a escrever mais. Quem já passou por isso sabe que perdemos um pouco o tesão de escrever quando não se há respostas sobre a quantas anda esse bendito processo.

Fiquem com um videozinho bem legal que achei esses dias.

Quando os carteiros trazem felicidade

Olá,

Hoje o dia já começou cansativo. A rotina nossa de cada dia faz com que mesmo as novidades no trabalho, nos estudos e na vida se tornem apenas notícias. É claro que essa semana passamos pensando no Canadá, mas passamos também pensando no que temos aqui, em toda aquela história de “não deixa de viver a vida enquanto tu está no Brasil”, “vamos vivendo, não sabemos quando iremos mesmo…”, enfim.. toda essa história que todo aspirante à imigração já conhece.

Hoje eu sabia que o dia poderia terminar um pouco diferente. E aconteceu: nossa primeira carta oficializando a abertura do nosso processo chegou.

Estamos super felizes, tudo bem que não é nenhum CSQ por correios, mas já é alguma coisa..

Junto com a carta de abertura do dossiê veio também o comprovante do pagamento do cartão de crédito.

Agora é esperar pela segunda carta e o conteúdo que virá nela. Hoje o carteiro nos trouxe felicidade por pelo menos um mês.

Abraços e beijos